6am
Olho no asfalto. Pigarro na garganta. Seria considerável se não fosse tão cinza. De canto do olho, de costas para o mundo. Minha vida resume-se a uma montanha russa de descasos, já disse isso né? Apago o cigarro. Nada faz sentido. Sequer lembro o dia em que tudo passou a ser desse jeito mas os passos vacilam e embriagada seja a questão. Não me cabe a clemência, a passividade à vida sem paixão. Nem que seja paixão pela queda. Nem que seja paixão pelo nada. O próprio Nietzsche morreu cedo. Ele e seu bigode muito feio. Nada disso me tira a vontade de assustar as pombas na calçada quando quase 6 as padarias abrem e eu passei a encarnar 24 horas tudo o que mais amo."I will give you even my body, Spiritwalker". Foda-se. É, foda-se a boa postura, o bom caminho, a boa virtude. Eu sou o avesso de eu mesmo e meus olhos queimam em descrenças. Odeio a vizinhança. Odeio a cidade quando desperta. Penso Taxi Driver. Tem muito mais sujeira nas pessoas do que nas calçadas. As pessoas não deviam ter nojo das baratas, pelo menos elas são o que são.
Taxi Driver = Você está falando COMIGO?
ResponderExcluirPost muito intelectual para que eu pudesse entendê-lo. Apesar de eu também odiar a cidade quando ela está consciente.